A arte alimenta-se de ingenuidades, de imaginações infantis que ultrapassam os limites do conhecimento; é ai que se encontra o seu reino. Toda a ciência do mundo não seria capaz de penetrá-lo.
A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam.
A arte é a expressão da sociedade em seu conjunto: crenças, idéias que faz de si e do mundo. Diz tanto quanto os textos de seu tempo, às vezes ate mais.
A arte hoje tem que ter um apelo popular. Só pode sobreviver se sair do casulo do respeito distante e tornar-se extremamente familiar, popular como um show de rock. Arte só é interessante quando há uma apropriação narcísea.
A emoção estética deixa o ser humano num estado favorável à recepção de emoções eróticas. A arte é cúmplice do amor. Tire o amor e não haverá mais arte.
Arte legítima é aquela que tem uma certa inevitabilidade: só poderia ser feita naquele momento histórico, por uma determinada pessoa, inspirada por uma visão de um mundo determinada.
É incontestável que a arte deve conter valor social; como poderoso meio de comunicação que é, deve ser dirigida e em termos compreensíveis à percepção da humanidade.
Em quase todas as tarefas relativas às formas há milhares de elementos que por vontade humana são forçados a trabalhar em harmonia. Só pela arte se pode alcançar essa harmonia.
Não acredito na idéia de vanguarda, como não acredito em progresso na arte. Na ciência, essas idéias são aceitáveis, mas em arte o que vale é a obra encantar e provocar admiração, ou não.
Não existe estilo para a arte moderna, mas diversas possibilidades de dar forma à imagem, o que se expressa por surgirem num mesmo período vários movimentos, muitas vezes contraditórios entre si.
O acontecimento recordado torna-se ficção, uma estrutura feita para acomodar certos sentimentos. Não fora por essas estruturas, a arte seria pessoal demais para que o artista a criasse, mais ainda para que a platéia a compreendesse.
O oposto do amor não é nenhum ódio, é a indiferença. O oposto de arte não é a feiúra, é a indiferença. O oposto de fé não é nenhuma heresia, é a indiferença. E o oposto da vida não é a morte, é a indiferença.
O tempo extrai vários valores de um trabalho de um pintor. Quando esses valores são esgotados, os quadros são esquecidos, e quanto mais um quadro tem a dar, mais importante ele é.
Obras de arte, na minha opinião, são os únicos objetos no mundo material que possuem ordem interna e isso porque, apesar de não acreditar que só a arte importa, acredito que a arte vale à pena pela arte.
Os tempos mudaram e a história da arte também. Neste fim de século, houve uma trivialização. Hoje, não há o vanguardismo que até trinta anos atrás era importante.
Quando alguém compra algum dos meus trabalhos de arte eu espero que seja porque desejem aprender com ele e não porque pensem que vai combinar com suas cortinas.
Reconhecimento é questão de sorte. É questão das pessoas gostarem das coisas que você está gostando de fazer. Se existir esta alquimia, tudo certo. Caso contrário, o reconhecimento não se dá. Mas no fundo, o essencial é a gente gostar das coisas que faz.
Um homem que trabalha com as mãos é um operário; um homem que trabalha com as mãos e o cérebro é um artesão; mas um homem que trabalha com as mãos e o cérebro e o coração é um artista.